terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sobre um novo sistema de ensino médio


“O ensino médio brasileiro é muito chato” - estas são as palavras de Maria Inês Fini que, por sinal, não é uma estudante de ensino médio e, sim, doutora em educação e idealizadora do Enem!

Cá entre nós, a doutora tem razão. Lidar com o método universalista de ensino (todos têm que saber um pouco de tudo), uma das principais características do ensino médio brasileiro, é muito chato, desestimulante e cansativo, além de ser difícil de se acompanhar. Tão difícil que, a cada 100 alunos que ingressam no ensino médio brasileiro, 35 não completam o curso.

Além de tudo isso, o EM do Brasil se mostra ineficiente. Segundo os últimos dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), o ensino médio obteve média de 3,7 (em uma escala que varia de 0 a 10!!).

Mas... e aí? Como resolver todos esses problemas?

Para o cientista político e autoridade em educação Simon Schwartzman, a solução é bem simples: basta permitir que os alunos de ensino médio estudem apenas as matérias que desejam/gostam. Se houvesse a implantação dessa política de ensino, os estudantes se sentiriam bem mais motivados para se dedicarem à escola, o que acabaria com os problemas do EM brasileiro. Frequentar a escola passaria a ser menos cansativo e mais prazeroso.

Genial! Já que todos os problemas teriam um ponto-final com o tal sistema de ensino, por que o Governo Federal não o implanta logo?? Além do mais, países com grande reputação, como a Alemanha e a Inglaterra, fazem uso desse método de ensino desde a década de 90!

Bem, nem tudo são maravilhas. A verdade é que a adoção dessa política de ensino traria também vários fatores negativos. Aí vão alguns deles:
- Pensamos que, na escola, educação de base é mais importante que educação profissional. É bem simples compreender o porquê. Se estudantes começassem a ter desde cedo - ainda na escola - educação que tem como único foco o ingresso no mercado de trabalho, estes se tornariam, provavelmente, profissionais “ignorantes”. Em outras palavras, um profissional que é expert em uma área específica, mas com uma visão muito restrita da sociedade e do mundo;
- Alunos de Ensino Médio têm, em média, 15 ou 16 anos, idade em que boa parte dos jovens está no auge de sua indecisão profissional. (dizemos isso porque a equipe, composta por membros dessa idade, se encontra nessa situação :P).
- A implantação desse novo sistema de ensino teria de abranger todo o território nacional. Se isso não é feito, a medida acaba tendo um efeito inverso. Em 2008, o Governo de Minas Gerais adotou esse sistema, dando aos estudantes do 2º Ano do EM o direito de cursar as matérias da área de seu interesse (Ciências Humanas, Exatas ou Biológicas). O resultado foi, ao contrário do que era esperado, a insatisfação dos alunos, já que se sentiram extremamente prejudicados na hora de prestar vestibular.
Resumindo em um período: a medida, que pretendia trazer satisfação aos estudantes, foi um fracasso total, pois fez justamente o contrário.

Bem, nosso objetivo não é persuadir você, leitor, a tomar determinado ponto de vista. É por essa razão que tentamos mostrar aqui “os dois lados da moeda”, ou seja, tanto as vantagens quanto as desvantagens do sistema educacional em questão. Apenas gostaríamos de convidá-lo a pensar mais sobre as coisas, principalmente aquelas que dizem respeito ao sistema.

E lembre-se: a princípio, acreditar que você pode mudar o status quo* é mais importante do que mudar o status quo.

*Segundo a fonte mundial do conhecimento (Wikipedia), status quo "é uma expressão latina que designa o estado atual das coisas, seja em que momento for." Assim, convocamos você, leitor, a sair do conhecido e pensar na inovação.


Jay V.

Um comentário:

  1. Pô, manos, vcs são d++... Tenho exemplo de um colégio que praticamente faz esse tipo de política de ensino: o Bandeirantes. Além, de os alunos escolherem o que mais gostam, para não saírem prejudicados em vestibulares e tals, tbm recebem conteúdos de outras matérias, mas em menor escala... Um modelo agradável e inovador!...
    Té mais... E, aliás, publiquem mais textos do blog no Facebook...

    ResponderExcluir