quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A blogueira rebelde
Num lugar onde o terror impede que o governo e o povo questionem a opressão, uma garota de 11 anos toma coragem e faz sua insatisfação mobilizar seu país e o mundo. Lendo assim parece sinopse de filme de ficção, né? Mas não é. A história de luta de Malala Yousafzai contra o Talibã alcançou vários países e é exemplo do que a humanidade precisa para o século XXI.
O Talibã trata-se de um "movimento político islâmico fundamentalista", traduzindo: um grupo de caras que decide seguir a doutrina religiosa de Maomé ao pé da letra e impõe suas crenças sobre o cotidiano de outras pessoas. O grande problema é que esse "ao pé da letra" depende das interpretações desses caras e, frequentemente, acaba levando a ações extremas (daí o fato de eles também serem chamados de extremistas). Atualmente, o Talibã atua no Afeganistão e no Paquistão. O grupo é responsável por massacres contra os cidadãos dos países onde age (para ter-se uma noção, contabilizaram-se mais de 5000 mortes numa única invasão), por tráfico humano (assim como a escravização) e por violenta opressão às mulheres. Tudo isso para intimidar a população e conseguir impor as doutrinas extremistas (bem extremo, não?).
Em 2009, os talibãs tinham grande controle sobre o Vale de Swat, onde vivia Malala Yousafzai. Nessa época, quando tinha 11 anos de idade, a garota resolveu começar a escrever um diário para a BBC Urdu (urdu é a língua falada em algumas regiões do sul asiático). Desde o início, Malala denunciava anonimamente a injustiça a que as mulheres eram submetidas no que se referia à educação. O grupo extremista proibia a frequência escolar de garotas, explodia colégios e difundia o medo entre aqueles que ousassem questionar essas ações. Mas, a despeito do terror, a menina continuava a lutar pelos seus ideais. Lembrar do ditado "filho de peixe, peixinho é" cai bem: o pai de Malala, diretor de uma escola da região, também era um ativista (isto é, aquele que luta ativamente em prol de sua ideologia).
Malala Yousafzai cresceu, continuou a defender o direito de ensino feminino e saiu do anonimato. Suas entrevistas a jornais de todo o mundo mostraram a força da luta contra o Talibã. Contudo, o grupo reagiu e baleou a jovem paquistanesa na cabeça em outubro de 2012. Manifestações e orações foram realizadas em seu país e em outras regiões do globo, mostrando a revolta com o grupo fundamentalista e o apoio à ação exemplar da jovem. Recebendo ajuda dos governos do Paquistão e do Reino Unido, a garota foi levada para um hospital na Inglaterra onde recebeu cuidados adequados e pôde sair com saúde no começo de janeiro.
A garota ativista tornou-se ícone mundial. Como disse Feryal Gauhar, do jornal Express Tribune do Paquistão, "A voz dela nos fez perceber que pode, sim, existir alternativas, e que pode haver resistência a todas as formas de tirania. Hoje, as tentativas de calar aquela voz só deixam-na mais forte; a mancha de sangue no uniforme escolar [que a garota usava quando foi baleada] só pode alimentar a convicção de que enquanto existir fôlego e vida, vai existir luta". A história inspira. Enquanto a garota mostra sua consciência de que a educação é a única forma de libertar-se da alienação que nos prende, grande parte dos jovens vê a escola como a prisão. Não estamos dizendo que você não pode questionar a escola. O ensino brasileiro e mundial tem, sim, que melhorar muito. E cada um de nós tem que fazer parte desse processo. A questão é que não se percebe mais a missão da escola. Esse assunto merece um post dedicado apenas à sua discussão. Por ora, ficaremos com isso.
Por fim, gostaríamos de salientar que em momento algum questionamos a religião islâmica. Questionamos apenas o modo como ela é interpretada e levada para o dia a dia. A falta de senso crítico é o problema. Aliás, como anda seu senso crítico? Será que você anda agindo sem pensar? Reveja suas ações e se pergunte se elas fazem sentido. É isso que desenvolve o ser humano.
Até o próximo post \õ.
Fontes:
http://www.bbc.co.uk/news/magazine-19899540
http://noticias.terra.com.br/mundo/oriente-medio/ataque-taliba-contra-jovem-malala-mudou-o-paquistao-diz-pai,c7384cfb7e45b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/24875/ativista+paquistanesa+anti-taliba+tem+poucas+chances+de+sobreviver+diz+medico.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/Taliban#Oppression_of_women
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taliban
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